Durante 25 anos, buscar foi olhar uma lista. A pessoa digitava, recebia dez links azuis, abria três ou quatro e tirava as próprias conclusões. Esse ritual está mudando rápido: com a busca por IA, quem pergunta recebe uma resposta pronta, com as marcas já escolhidas.
Não é previsão. Os números já mostram a mudança, no mundo e no Brasil, e ela muda o que significa uma marca aparecer.

A busca por IA virou hábito
O ChatGPT tinha 100 milhões de usuários por semana em novembro de 2023. Em outubro de 2025, eram 800 milhões, e em fevereiro de 2026 a OpenAI anunciou 900 milhões. Em pouco mais de dois anos, perguntar a uma IA virou hábito para uma parte enorme da internet.
E o ChatGPT não está sozinho. O Gemini, o Perplexity, o Copilot e os recursos de IA do próprio Google respondem às mesmas perguntas, cada um do seu jeito.
Menos cliques, mesmo no Google
A mudança chegou também à busca tradicional. Quando o Google mostra um resumo feito por IA no topo da página, as pessoas clicam menos nos resultados.
O Pew Research Center acompanhou a navegação de 900 adultos nos Estados Unidos em março de 2025. Com o resumo de IA na tela, o clique num resultado aconteceu em 8% das visitas; sem ele, em 15%. Os links dentro do próprio resumo foram clicados em só 1% das visitas.
A Gartner, consultoria que faz previsões para executivos de marketing, estima que, até 2028, muitas marcas vão perder metade ou mais do tráfego orgânico do Google, à medida que as pessoas adotam a busca com IA. É uma previsão, e não uma medição, mas aponta na mesma direção do estudo.
No Brasil, a compra já passa pela IA
Não é coisa só dos Estados Unidos. Na pesquisa E-consumidor 2026, da Nuvemshop com a Opinion Box, 46% dos consumidores online brasileiros disseram que ferramentas como o ChatGPT e o Gemini já fazem parte da jornada de compra.
Os usos mais citados são justamente os momentos de decisão: comparar prós e contras dos produtos e tirar dúvidas técnicas, com 48% cada. É ali, na comparação, que uma marca entra ou fica de fora.
No B2B, a lista curta nasce no chatbot
Nas compras entre empresas, a mudança é ainda mais rápida. Na pesquisa da G2 com 1.076 compradores de software, feita em março de 2026, 51% disseram começar a pesquisa mais vezes num chatbot de IA do que no Google. Um ano antes, eram 29%.
E a recomendação pesa: 69% contaram ter escolhido um fornecedor diferente do que planejavam por causa do que a IA indicou.
Cabe pouca gente na resposta
Na lista de links, aparecer na primeira página bastava para entrar na disputa. Na resposta de uma IA, a disputa termina antes: a IA lê as fontes, compara e entrega duas ou três marcas, às vezes uma só, com um comentário sobre cada uma.
Isso muda três coisas:
- Estar na resposta. A marca que não aparece não chega a ser considerada.
- A ordem. Ser a primeira indicação não é o mesmo que ser a terceira, citada de passagem.
- O jeito de descrever. Uma ressalva como "cara para o que entrega" pode tirar a venda, mesmo com a marca na resposta.
E a disputa não é só entre marcas. Para montar a resposta, a IA também escolhe quais sites citar como fonte: o site da marca, marketplaces, sites de avaliação, vídeos. Quem aparece como fonte ajuda a decidir o que a resposta diz.

O que fazer agora
A boa notícia é que a presença nas respostas pode ser medida e melhorada. São quatro passos:
- Descubra as perguntas. Não as palavras-chave, e sim as perguntas inteiras que o seu cliente faz às IAs, do jeito que ele fala. O capítulo As perguntas que você vai acompanhar mostra como montar a lista.
- Meça onde você está. Veja se a marca aparece, em que posição, com que tom e ao lado de quem, em cada IA, e repita a medição, porque as respostas mudam. Está no capítulo O primeiro diagnóstico.
- Deixe o site legível para as IAs. Robôs liberados, páginas claras e fatos certos sobre a marca. O passo a passo está em O site que as IAs conseguem ler.
- Transforme em rotina. Acompanhe toda semana e corrija o que as IAs dizem de errado. Veja Transformar em rotina.
O Guia de AEO da Bases explica cada etapa em detalhe, com exemplos.
Fontes
- OpenAI, números de usuários semanais do ChatGPT: 100 milhões (novembro de 2023), 800 milhões (outubro de 2025, com os 500 milhões de março) e 900 milhões (fevereiro de 2026), via TechCrunch.
- Pew Research Center, "Google users are less likely to click on links when an AI summary appears in the results", 22 de julho de 2025.
- Gartner, previsão sobre o tráfego orgânico até 2028, segundo a Marketing Dive.
- Nuvemshop e Opinion Box, pesquisa E-consumidor 2026, segundo o TI Inside, 11 de setembro de 2026.
- G2, "In the Answer Economy, Don't Win the Click — Win the Answer", 15 de abril de 2026.